quarta-feira, 6 de julho de 2011

À atenção do ministro Nuno Crato


Exmo senhor ministro
É um facto conhecido que os docentes do ensino superior se queixam com frequência do tempo gasto na avaliação dos alunos: trabalhos, seminários, apresentações, testes, exames (1ª época, 2ª época, época especial)...
Os recentes acontecimentos na cena político/económica envolvendo a queda do rating da República deram-me uma ideia que poderá solucionar aquele problema. Em vez de classificar os trabalhos e exames, os professores emitirão a sua "opinião" sobre o aluno, qualquer coisa nestes termos: "independentemente do que aqui está", e poderão apontar com um dedo displicente para a pilha de trabalhos e testes produzidos pelo aluno, "tenho um feeling que você não vai conseguir passar de ano, e portanto leva um 9. E tome nota que fica com um outlook negativo, portanto fique à espera de um 6 ou 7 para a próxima."
Veja-se o tempo poupado ao sobrecarregado dia de trabalho de um docente!
E a cereja no topo do bolo é que os alunos terão de pagar para os docentes emitirem essa "opinião" baseada nesse feeling, resolvendo assim em simultâneo dois problemas crónicos: a sobrecarga dos professores e o subfinanciamento das instituições.
Naturalmente que, vivendo nós neste financeirismo totalitarista em que tudo tem um preço, tenho a expectativa de ser recompensado por esta ideia brilhante, por exemplo na forma de uma percentagem (a negociar) dos ganhos financeiros das instituições que adoptarem esta nova metodologia, da qual já submeti o respectivo pedido de patente.

Com as mais cordiais saudações académicas

8 comentários:

Pé na estrada disse...

Fantástico!!! Bora seguir a técnica?

Anónimo disse...

Essa ideia não faz sentido nem como piada... Afinal a educação quer-se independente, e ainda há professores e alunos sérios, que conhecem os seus deveres.
A analogia com a descida do rating... simplesmente é, a meu ver, despropositada.

João Ventura disse...

Caro Anónimo
O sentido de humor é pessoal. Claro que "ainda há professores e alunos sérios" - eu trabalho no meio, tenho obrigação de saber - mas o que tem isso a ver com o texto?
Deu-me gozo escrevê-lo, houve quem gostasse de o ler, outros não... é a vida...
Como dizia a minha avó perante opiniões divergentes: "É por isso que o mundo não tomba!"
Obrigado pela visita. :)

Luís Filipe Silva disse...

Ai, coitado do anónimo, que não há parvo que não se esconda atrás dele. Tão largas costas tem o pobre do anónimo, mais largas que a do Atlas, ora bem, pois lá vai carregando com todo a besta de carga que se julga no direito de largar a sua poia intelectual na internet.

Esta é das tuas melhores, João. Parabéns! Cá por casa há professores e adoraram :)

n.fonseca disse...

hehehe nice.

Anónimo disse...

Do mesmo anónimo...
Tal como João Ventura, a meu ver, muito bem esclarece, não há mal nenhum em ter opiniões diferentes. Tendo sido capaz de perceber o texto, simplesmente o meu lado mais "profissional" sobrepôs-se ao humor, que compreendo mas cuja génese me parece estranha. Se vim acrescentar alguma coisa útil à história, talvez não. Talvez tenha sido infeliz. Mas foi uma opinião. Para a próxima, se não tiver algo mais construtivo a dizer, calar-me-ei, aqui.

Quanto ao apresentar-me como anónimo. É a mesma coisa de sempre, Luís Filipe Silva. Pergunto-me se não terá uma listinha com comentários mordazes e pitorescos feitos para espetar sempre que alguém comenta "escondido no anonimato". Adiantava escrever José, Maria ou FJk78@C? O autor deu-me a liberdade de não colocar nome. É uma liberdade, não uma necessidade. Em discussões uso o meu nome, mas para um simples comentário não me pareceu necessário. Enfim, o drama, o horror, "aqueles que se acham intelectuais e são bestas porque se escondem no anonimato". LFS, se me permite: acho-o uma pessoa inteligente e acompanho o seu trabalho por que gosto, mas este discurso...

Peço desculpa ao autor do blog por me ter alongado.
Continuação do bom trabalho e do bom humor, quer eu o consiga acompanhar ou não.

Luís Filipe Silva disse...

Há-de ver, caro anónimo, que a sua pessoa nunca surge associada a comentários apreciativos mas sempre depreciativos. Ora, a diferença é necessária para qualquer discussão e ninguém deveria ter vergonha da sua postura contrária, em particular se é contrária e se tem tanto apreço pela mesma que se incomoda a erguer a voz. Se o uso do anonimato é necessário numa sociedade repressora, numa que se quer de livre expressão é de uma grave falta de ética - a meu ver. Neste caso, ainda mais incompreensível se tornou, pois tratava-se de um mero opinar, e espero ainda existir numa sociedade em que a diferença de opinião é possível. Podemos sofrer represálias por essa opinião? Claro, mas sem dar a cara para a defender, estamos a ceder terreno aos censores, a pouco e pouco, sejam eles institucionais ou emocionais. Logo, como deve ter percebido (se não fosse inteligente e de bom gosto, não era leitor/a do blogue do João), a mensagem não era para si mas para os futuros anónimos deste mundo. Fique bem.

Nuno disse...

Tenho um feeling que vou rir mais um bom bocado :)