terça-feira, 31 de janeiro de 2006

A Passagem

Desde pequenos que sabíamos o que iria acontecer, e visitávamos muitas vezes a floresta, onde cuidávamos dos que já tinham passado antes de nós: varríamos as folhas do chão, arrancávamos ervas, tirávamos um ou outro ramo seco. Sabíamos que naquela forma viveríamos muitos anos, e que a nossa existência móvel, na sua curta duração, era de facto uma espécie de pré-vida.
E no entanto, é sempre um choque quando aparecem os primeiros sintomas: uma manhã, sem qualquer aviso, os pés começam a arrastar-se no chão, todos os movimentos são mais lentos, e sabemos que o momento da passagem se aproxima. Caminhamos então em direcção à floresta, acompanhados pelos nossos amigos, e durante o percurso o esforço para andar vai sendo cada vez maior, os nossos membros vão perdendo a flexibilidade da carne e adquirindo aos poucos a rigidez da madeira, de tal forma que quando chegamos ao local onde ficaremos plantados é um alívio podermos parar. E assentamos os pés firmes no chão, e os nossos amigos ajudam-nos a colocar os braços na posição mais adequada, e olhamos o que nos rodeia pela última vez antes de as nossas retinas ficarem opacas e as pálpebras rígidas, e entra nos nossos pulmões a última inspiração. Sentimos as raízes a sair-nos dos pés e a entrar na terra à procura de nutrientes, o fluido que nos percorre as veias vai-se tornando seiva, o calor do sol sobre o nosso corpo começa a provocar a transformação das células superficiais para poderem realizar a fotosíntese, e chegam-nos subtis mensagens de saudação daqueles que passaram antes de nós e que nos rodeiam. E vem o pôr do sol, e ficamos meio adormecidos para passar a noite, esperando pela madrugada, e os pássaros ainda não vêm dormir no nosso corpo porque ainda não cresceram ramos nos nossos braços, mas isso acontecerá rapidamente, e então seremos árvores completas, e viveremos longamente...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Os agás

- Como tenho verificado que com alguma frequência vocês escrevem “há” sem agá, cheguei à conclusão que deve haver um défice de agás na vossa colecção de letras, pelo que trouxe uns quantos agás para colmatar essa falta.
E juntando a acção à palavra, tirou um envelope A4 da pasta e despejou sobre a mesa uma enorme quantidade de agás recortados de jornais.
Nenhum dos alunos sequer sorriu.
- O sentido de humor já não é o que era! - exclamou o professor desalentado...

sábado, 28 de janeiro de 2006

Inverno


Chegou primeiro o Frio e assentou arraiais. Tinha congelado uns ribeiros, para se entreter, quando ouviu ao longe o Vento. Este aproximou-se rapidamente e cumprimentou-o, com um assobio gelado. Em terceiro lugar veio a Chuva, ensopando tudo em volta, e finalmente apareceu a Neve, vestindo um manto branco acabado de estrear.
A Chuva e a Neve não se entendiam bem e começaram a discutir, mas o Vento, com um sopro forte, mandou-as calar.
Era a Assembleia Geral de constituição do clube Inverno. O artigo 1º dos Estatutos dizia:
“Para que o Clube esteja aberto, é necessária a presença de pelo menos um dos sócios no pleno gozo dos seus direitos”.
E o artigo 2º:
“O clube fechará para balanço quando aparecer de forma insistente e incómoda o Sol, o Calor, ou qualquer outro desses desmancha-prazeres”.
Já não me lembro do resto: nunca tive grande queda para memorizar textos jurídicos...

O'pra elas!





Gent, Bélgica, 2004

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

SMSes (3)

- O quê? perguntou um.
- What? asked another.
- Krrumpf# @(q£ §=g.
- Com que então uma torre para chegar ao céu - resmungou a divindade com um riso raivoso..

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Equívocos

Queria inscrever-se no karaté mas fê-lo por engano no karaoke.
Quando uns tempos mais tarde foi atacado na rua, em vez de responder com um tsuki, saiu-lhe o “Love me tender” do Elvis Presley...
É o que dá não se saber japonês!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Estória com gatos

Estavam três gatos no beiral do telhado: um gato filósofo, um gato artista e um gato comum.
O gato filósofo foi o que miou primeiro. Dissertou detalhadamente sobre o significado da vida de gato, e o modo como ela contribui para o equilíbrio do universo. Tinha feito um retiro espiritual num mosteiro zen, e tinha aprendido sobre o yin e o yang, e o desprendimento, e a iluminação que se atinge depois de muito meditar e se conseguir ver para além das ilusões.
Em seguida miou o gato artista, e disse da suprema beleza da noite com o luar a brilhar sobre os telhados, de como o miar de uma gata com cio representava, para ouvidos artisticamente treinados, música das esferas, do prazer estético que se podia fruir observando um salto bem preparado do ramo da árvore para cima do muro.
Miou por último o gato comum, que disse que tinha apreciado os miados dos seus distintos colegas, mas que todos os seus considerandos eram vazios de sentido se ao escutá-los ele não tivesse já um pardalito ou pelo menos um ratinho a aconchegar-lhe o estômago. Filosofia e arte muito bem, mas não de barriga vazia!
Ouvindo isto, os dois distintos colegas não puderam deixar de miar longamente, expressando a mais profunda concordância.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Eleições no País da Simetria

O partido no poder tinha sido, nos últimos anos, o Partido Simétrico (PS). O que era óbvio para quem visitasse o país: os edifícios mais recentes eram rigorosamente simétricos; nos automóveis, a frente e a traseira confundiam-se; qualquer monumento, construção, estrutura exibia uma ou mais formas de simetria.
Do programa do partido constava, naturalmente, a procura e adopção da simetria em todos os aspectos da vida – qualquer militante ou simpatizante usava roupas irrepreensivelmente simétricas e mesmo o cabelo era sempre penteado com risca ao meio. Qualquer pequena irregularidade – uma borbulha, um sinal, uma verruga, enfim qualquer pequena falha da natureza, ela própria considerada essencialmente simétrica – era imediatamente corrigida cirurgicamente, afim de manter a simetria no mundo.
No plano social, o número de pobres era rigorosamente igual ao número de ricos; o número de estúpidos igualava o número de inteligentes; enfim, um país rigorosamente dividido ao meio, uma igualdade de um lado e outro da mediana. A fazer fé, naturalmente, nas estatísticas do governo, que, por outro lado, era sistematicamente acusado pela oposição de viciar as estatísticas.
Em virtude dos seus princípios programáticos, o PS era obviamente um partido rigorosamente centrista.
A oposição era constituída pelo Partido Hemi-Simétrico (PHS) – da direita, ou da direita moderada, consoante os comentadores – pelo Partido Assimétrico (PA) – da esquerda, ou da esquerda moderada, segundo outros comentadores – e pelo Partido Anti-Simétrico (PAS) – da esquerda radical, de acordo com todos os comentadores.
O Partido Hemi-Simétrico (PHS) era adepto da simetria, mas de uma forma mais sofisticada. Assim, por exemplo, não achavam necessário que houvesse igual número de ricos e de pobres, mas sim que o número de ricos vezes as respectivas fortunas fosse igual ao número de pobres vezes o valor das respectivas míseras posses. Desta forma, argumentavam, ocorreria a concentração de capital imprescindível para que o país desse o necessário salto em frente.
O Partido Assimétrico (PA) era de opinião que simetria ou assimetria era uma questão de gosto pessoal. Era uma espécie de mistura de cidadãos simétricos, desiludidos com algumas simetrices exageradas do PS, e de cidadãos que tinham sido anti-simétricos na sua juventude, mas que se tinham entretanto cansado dos excessos da anti-simetria.
O Partido Anti-Simétrico (PAS) era uma espécie de PS ao contrário. Qualquer acção de um anti-simétrico procurava deliberadamente a não-simetria. A sua casa teria forçosamente a porta de um lado e as janelas do outro, estas de preferência de tamanhos diferentes. As suas roupas teriam que ser ferozmente anti-simétricas – casacos com uma manga vermelha e outra verde estiveram na moda durante algum tempo. Penteados com risca ao lado, em casos extremos um lado da cabeça rapado, piercings só de um lado da cara...
Com a aproximação das eleições, o país foi surpreendido pelo aparecimento de um novo partido: o Partido Supra-Simétrico (PSS).
Quase da noite para o dia, surgindo praticamente do nada, começou a ser motivo de conversas de rua, de comentários dos opinion makers, de artigos de primeira página nos jornais mais conceituados. Porque o seu programa político veio introduzir um corte radical no universo consensual, um paradigm shift na paisagem ideológica dominante. Muito resumidamente, afirmava que todas as controvérsias em torno da simetria e das diversas facções de não-simetria ficavam sem sentido (“um mero exercício de futilidade”) quando examinadas a partir de um espaço de dimensionalidade mais elevada. Esta declaração, apresentada pelo porta-voz do partido na conferência de imprensa de lançamento, constitui obviamente uma simplificação; a argumentação detalhada, apresentada em “A Supra-Simetria: Um Programa de Governo”, desenrolava-se ao longo de 185 páginas de expressões matemáticas, separadas apenas, de onde em onde, por expressões do tipo “portanto”, “daqui, como é evidente” ou “segue-se que”.
A publicação do programa teve na sociedade civil um efeito demolidor. Olhando aquelas páginas e páginas de densa notação matemática, as pessoas pensavam: “Não percebo nada, estes tipos devem ser muito inteligentes... Devem ser capazes de governar bem o país... Vou votar neles!”
E foi assim que, contrariamente às previsões de todos os analistas, mas de acordo com os comentários dos mesmos analistas após a publicação dos resultados, o PSS averbou uma tremenda vitória, obtendo a maioria absoluta.
A sessão inaugural da nova legislatura logo mostrou a diferença de postura do novo poder. Os seus deputados, em vez de ocuparem uma posição central no hemiciclo, como sempre fazia o PS, distribuíram-se aleatoriamente pela sala, desta forma mostrando estarem acima das implicações do conceito de simetria.
A primeira medida do novo parlamento, aguardada com grande expectativa, foi a aprovação de uma lei destinada a facultar a todos os cidadãos de maior idade uma licenciatura em Matemática, para que pudessem compreender, em toda a sua profundidade, o programa do PSS. Esta decisão foi muito bem recebida pelos departamentos de Matemática de todas as universidades do país. A esta, outras leis se seguiram, de igual importância estratégica e cada uma delas mais inovadora do que a anterior.
Porém, com o passar do tempo, foi emergindo no país profundo um vago sentimento de mal-estar. Uma parte dos cidadãos queixava-se que estudar Matemática era cansativo, atribuindo em geral as culpas aos professores que não explicavam bem as matérias; mas a generalidade ressentia-se sobretudo do facto de todas as questões importantes serem decididas na capital.
Propulsionado pelo recém-aparecido PANS (Partido Anarco-Simétrico, que alguns analistas mais formais recusavam considerar um partido pelo facto de, assumidamente, não ter programa; o que se aproximava mais de um programa era um site que mantinham na Web onde qualquer pessoa podia escrever o que lhe apetecesse...), um abaixo-assinado divulgado na SimNet reuniu em tempo recorde as assinaturas necessárias para forçar o parlamento a realizar um referendo.
Este referendo, com o título (escolhido pelos proponentes e obviamente provocatório) “Simetria? O que é isso?”, foi ganho de forma inequívoca pelos partidários da regionalização, sendo desta forma decidido que cada região teria o grau de simetria que entendesse.
Ficou célebre, na campanha que antecedeu o referendo, um debate televisivo em que, quando um dos participantes disse “A simetria quer-se como o sal na comida, nem de mais, nem de menos”, um outro retorquiu “Pois eu, como tenho a tensão arterial alta, prefiro sem sal nenhum!”.
E assim, uns anos mais tarde, o país era como um mosaico, com as diferentes regiões exibindo diversas posições com respeito à simetria: desde as fundamentalistas supra-simétricas, às ferozmente simétricas ou anti-simétricas, passando por diversos graus intermédios.
Como este panorama político se alterava quase sempre que havia eleições (que com alguma frequência, e por razões diversas, eram antecipadas) surgiu uma nova profissão no mercado de trabalho, os engenheiros simetrizadores, licenciados em Engenharia Simetrizeira. Estes profissionais eram especialistas em simetrizar tudo aquilo que, na opinião dos decisores políticos, não era simétrico ou não o era em grau suficiente; também estavam habilitados, num contexto diferente, a des-simetrizar ou assimetrizar tudo o que fosse demasiado simétrico para o poder em exercício.
Sendo uma profissão que rapidamente passou a gozar de grande prestígio social, os requisitos de entrada nas faculdades onde se ensinava este novo ramo da engenharia eram os mais elevados de todo o ensino superior. A Ordem dos Engenheiros Simetrizadores era um dos organismos profissionais mais importantes, com forte influência (demasiada influência, havia quem dissesse, entre dentes) em todos os sectores da vida económico-social, e o seu Bastonário frequentava com naturalidade os corredores do poder.
Foi por esta altura que um famoso político, já na reforma, que matava o tempo escrevendo a sua auto-biografia, instado por um jornalista a comentar as profundas mudanças que tinham varrido o país no espaço de uma geração, respondeu, de forma lapidar, com a frase que o faria entrar na História:
- É a vida!...



Nota final: O autor declara que esta estória, como todas as estórias, deve certamente ter uma moral, mas que ele (autor), embora se tenha esforçado, não a conseguiu descobrir.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2006

domingo, 15 de janeiro de 2006

Diferente

A palavra “diferente” era muito vaidosa... Só por ser diferente! Estava sempre a dizer mal das palavras “igual”, “semelhante”, “parecida”, “idêntica” e outras que tais, só porque não eram diferentes. Já nenhuma palavra a podia aturar!
Ora no país das palavras resolveram organizar um concurso de beleza. E “diferente” foi das primeiras palavras a inscrever-se. No seu íntimo, sentia que já tinha ganho o concurso. Pois se ela era diferente de todas as outras, o júri não podia deixar de ter isso como o critério mais importante na selecção. E o nervosismo foi crescendo à medida que a data do concurso ia ficando próxima.
E “diferente” resolveu acentuar as suas diferenças, para aumentar a vantagem sobre as competidoras. E foi-se tornando cada vez mais diferente. E quando chegou o concurso, foi eliminada logo na primeira volta, pois de tão diferente que estava, já não se percebia o que significava. E o primeiro prémio foi atribuído à palavra “simples”, que na sua simplicidade nunca imaginara pudesse alguma vez vir a ganhar.
“Diferente” chorou lágrimas amargas. Mas curiosamente, as suas lágrimas não eram diferentes; eram iguaizinhas às lágrimas das outras candidatas excluídas.

Gotcha!


(Bratislava, Eslováquia)

sábado, 14 de janeiro de 2006

SMSes (2)

- Vão chegar animais, disse a planta à pedra. Eles movem-se.
- Qual é a vantagem, quando se pode estar quieta ao sol?
E riram-se ambas, um enorme riso estático.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Os Colunáveis

(para lembrar Eça de Queirós)

Abra-se qualquer revista dita “social” e lá estão eles, nas páginas centrais (um verdadeiro zoo!), exibindo-se à admiração pacóvia dos leitores.
Ele são festas de aniversário, ele são inaugurações, ele são casamentos ou baptizados, qualquer pretexto é bom para arreganhar os dentes na direcção do fotógrafo (algumas só com meia boca, não vá a plástica desfazer-se!)…
E os nomes, senhores, que parecem saídos de um infantário: Lili, Mané, Jójó, Zézé, Kiki… Como é possível levar a sério criaturas que se identificam com tais alcunhas?
Vou dizer-vos como eu gostaria de ver as referidas páginas.
Aquela foto com dois senhores de copo na mão, rindo à gargalhada, levaria a seguinte legenda:
“O Comendador Sicrano conta ao Dr. Beltrano como o uso de imigrantes ilegais no seu último empreendimento imobiliário fez aumentar substancialmente a sua conta bancária (domiciliada na Suiça).”
E aqueloutra com três senhoras sorridentes, duas jovens e uma já entradota:
“Dona Fulana, na secretaria do colégio onde os seus meninos estudam, antes de receber o subsídio a que tem direito, em virtude dos diminutos rendimentos constantes da sua declaração de IRS. Enquanto espera, descreve às amigas as férias que passou na nêve e queixa-se do horror que é parquear o Terrano.”
Uma corja, senhores! Portugal está doente!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

SMSes (1)

– Enloureceste? – perguntou o marido à mulher quando esta regressou do cabeleireiro.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Vermelho

Para alguns é o martírio
Para outros revolução
Para uns capa de toureiro
Outros trazem à memória
Sangue espalhado no chão.
Um cartão no futebol
Ou um carro de bombeiros
E mais isto, mais aquilo...
Curioso como pode
Uma mera oscilação
Do campo electromagnético
Com um comprimento de onda
De 700 nanometros
Representar tanta coisa
Para tanta e tanta gente?
Se calhar porque esta gente
Sendo embora semelhante
É toda ela
Diferente.

Conclave de Palavras

— Uma estória é uma fila de palavras – sentenciou a LITERATA.
— Mas é importante quem vai à frente ou atrás – precisou a ORDENADORA.
— O regulamento estabelece um limite máximo de 200 palavras – debitou a JURISTA.
— Eu gosto muito de estórias, e uma vez era para entrar numa, mas depois o autor... –começou a PALAVROSA.
— Shiu, tá calada! – interrompeu-a a AUTORITÁRIA.
— Vamos ajudar o autor? – propôs a VOLUNTÁRIA.
— E o que ganhamos com isso? – perguntou a EGOÍSTA.
— Aparecemos impressas, em Times New Roman, ou talvez em Arial... – respondeu a VAIDOSA.
— Eu não faço favores a ninguém! – avançou a CASMURRA.
— Só participa quem quiser... – disse a CONTEMPORIZADORA.
— Podemos votar... – propôs a DEMOCRATA.
— Boa, boa! – disse a ENTUSIASTA.
A votação, alargada a todas as palavras do dicionário do Word, processou-se com velocidade electrónica.
— Resultado da votação: 5000 a favor, 5000 contra! – anunciou a ESCRUTINADORA.
Ouviram-se insultos ao sistema operativo Windows, acusações de corrupção ao programa Excel, que tinha apurado os resultados, enfim, uma balbúrdia!
O autor acordou! Levantou a cabeça do teclado, olhou o monitor sem perceber nada, mas gravou o ficheiro, para enviar na manhã seguinte para o concurso literário.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Explicação (como se fosse necessária...)

Este blogue nasceu (quase) por acaso. Pretendia escrever um comentário no Caderno de Contos do Luís Filipe Silva e pouco depois o Blogger estava a pedir-me um nome para o blogue a criar. Uma hesitação, um impulso (por que não?) e pronto!
Por razões de simetria, outro impulso pode acabar com ele. Vivemos entre impulsos, é o que é...