sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Ciência passou pela Assembleia da República... mas não se demorou!

Já faltou mais para que os bolseiros de investigação deixem cair os "direitos elementares" e passem a reivindicar "direitos alimentares"!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Prémios...

Perante as notícias recentes de prémios a gestores, justificados por terem excedido os objectivos fixados, lembrei-me de um poema de Bertold Brecht, lido há muitos anos. Em menos de um minuto (viva a web!) encontrei-o aqui e não resisti a "roubá-lo". Os grandes autores continuam sempre actuais...

Perguntas de um Operário Letrado

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

sábado, 3 de abril de 2010

A floresta

A floresta era muito antiga. Diziam os mais velhos da aldeia que já os avós dos seus avós a tinham conhecido naquela colina. Diziam também que há muitos anos os magos nela se reuniam para a celebração dos seus rituais. E os habitantes da aldeia evitavam aproximar-se da floresta e muito menos atravessá-la.
Contava-se na aldeia que uma vez um lenhador tinha decidido ir lá cortar lenha e, segundo uns, não tinha voltado, segundo outros, tinha regressado enlouquecido, sem dizer coisa com coisa.

quarta-feira, 31 de março de 2010

STOP PRESS!   ULTIMA HORA!

Acaba de ser descoberta a forma como as agèncias de rating produziam as previsões sobre a saúde económica futura de países e empresas.
Numa cave bem escondida de olhares indiscretos, foram encontrados o Professor Mamadu, a taróloga Maya e o Professor Fofana, a quem eram arrancadas previsões sob ameaça de serem deixados morrer à fome.
As previsões dos astrólogos eram depois introduzidas num aparelho - os peritos do FBI estão ainda a investigar o funcionamento desse dispositivo, descrito por uma testemunha como "parecido com uma máquina de fabricar chouriços" - do qual saíam os famosos rótulos AAA, AA+ e quejandos, que tanto frisson provocavam no mundo financeiro e não só.
Consta que o argumento desta saga já foi comprado por uma conhecida produtora de televisão internacional, que tenciona fazer um reality show onde os concorrentes serão os governadores dos Bancos Centrais, sendo o 1º prémio um depósito de valor não divulgado num offshore à escolha do premiado.

domingo, 28 de março de 2010

O vento desfralda as bandeiras... e despenteia as cabeças!

Será que os meninos que se divertem a hastear bandeiras azuis e brancas em locais públicos quereriam, se voltasse a monarquia, que o rei fosse quem eu estou a pensar?

Ahahahahahahahahahah!!!

Vacina contra a estupidez

Quando foi inventada a vacina contra a estupidez, as autoridades de saúde pública compraram umas centenas de milhares de doses. Mas apesar de uma campanha de divulgação massiva, os postos de vacinação continuaram praticamente desertos.
"É um bom sinal", disse o comentador.
"Bom sinal? Por quê?", inquiriu o entrevistador.
"As pessoas são estúpidas, mas não suficientemente estúpidas para admitir que o são!", esclareceu o comentador com um sorriso de auto-satisfação.

PEC

O meu PEC era outra coisa...

quinta-feira, 18 de março de 2010

No Brasil...

O conto ETERNIDADE, que apareceu em Fevereiro de 2005 no site da Épica, foi agora publicado no Contos Fantásticos, site brasileiro administrado por Afonso Pereira, a quem agradeço a divulgação.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Bang nº 7

Acaba de ser publicada a Bang! nº 7 que, após uma interrupção, regressa às edições em papel.
Pode ser comprada no site da editora
Saída de Emergência.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

DESEJO INCONTROLÁVEL DE SER DONO DO MUNDO (DIDSDDM)

Personae gigantismus; Mundus dominium voluntas

Primeiro caso conhecido
Perde-se na noite dos tempos o registo do primeiro caso desta doença. Battleshout & Littleone (1953)  propuseram a teoria de que o incidente que faria despoletar a doença nas populações pré-históricas era o som de um fémur a partir qualquer outro objecto mais frágil; esta teoria foi liminarmente rejeitada por alguns participantes na conferência que também tinham visto o filme “2001 – Odisseia no Espaço”. Na sequência deste incidente, aqueles autores foram acusados de plágio e os seus nomes retirados do “Who’s Who in Medical Research”.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Uma notícia geométrica

(modesta homenagem a Edwin Abbott, autor de Flatland)

Era um quadrado perfeito (os seus lados mediam cada um 7 centímetros, com um erro inferior a 1 micrómetro). E sendo extremamente vaidoso, estava sempre a gabar-se. O que irritava muitas outras figuras geométricas.
Um dia, à saída do livro de geometria, um gang de triângulos escalenos apanhou-o e deu-lhe um ensaio de pancada. Ficou com um lado partido e um vértice muito maltratado.
Levado ao hospital geométrico, teve azar com o médico que o atendeu na urgência, um octógono que era especialista em áreas e não em segmentos de recta, e que ao reparar o seu lado partido deixou os dois fragmentos desalinhados.
E foi assim que o quadrado perfeito passou a ser um pentágono. E ainda por cima irregular!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Open Day

“Aqui é o Departamento de Informática Neo-Cartesiana”, explicou o guia ao grupo de visitantes. “As designações obsoletas hardware e software foram abolidas e substituídas por corpo e alma. Deixou de haver engenheiros de hardware e software, há agora médicos e psiquiatras.”
Sinais de agitação surgiram no átrio da entrada. Conduzido por dois seguranças, um homem vestido de preto, com um colarinho branco e segurando debaixo do braço uma maleta cuja tampa tinha uma cruz em baixo relevo, foi rapidamente levado ao elevador e subiu com um dos guardas.
O guia dirigiu-se ao outro segurança e perguntou: “O que se passa?”
“Tivemos um alerta da Secção Fundamentalista do Departamento. Uma impressora começou a vomitar papel impresso com estranhos símbolos, e como naquela Secção não acreditam na medicina, chamaram um padre para lhe aplicar um exorcismo.”

sábado, 2 de janeiro de 2010

SOS (Sindicalismo dos Órgãos de Soberania)

Começou com os juízes. Não era bem um sindicato, era uma associação sindical, embora distinguir a diferença exija um curso de Direito.
A Assembleia da República ficou com inveja. “Então somos menos que eles?”, questionavam-se os deputados. E dito e feito: assembleia constituinte do sindicato, estatutos, direito de tendência, naturalmente, eleições dos corpos gerentes. Aprovado mais depressa do que muitas leis.
O Governo não se quis ficar atrás. Foi ainda mais rápido, porque o número de sócios era muito menor. O PM presidente, o ministro das finanças tesoureiro, um secretário de Estado a secretário – já tinha o nome – mais dois vogais e pronto. E direito de tendência, quando viesse um governo de coligação, logo se veria.
O Presidente da República é que não alinhou. Sendo o único sócio teria que acumular todos os cargos da direcção. Esqueceu o assunto e foi presidir.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Natal em Little Town

O tenente Patrick O’Neill conhecia a cidade como poucos, e muito particularmente a zona conhecida como Little Town, onde fora nascido e criado. Tirando o período em que frequentara a Academia da Polícia, sempre ali vivera.
Conhecia não só a superfície, que os cidadãos bem comportados conhecem, mas também muito do que ocorria nos becos escuros, nas salas das traseiras de bares e locais semelhantes ou em certos salões geralmente considerados acima de toda a suspeita. Durante os séculos dezanove e vinte, Little Town tinha-se expandido quase como um patchwork, um crescimento entre orgânico e anárquico, à medida que vagas sucessivas de imigrantes iam chegando, fugindo da fome ou das perseguições políticas ou religiosas.
Mas O’Neill gostava dos velhos edifícios, conhecia os donos das pequenas lojas, tinha amigos em todas as comunidades que faziam de Little Town aquilo que ela tinha de único.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009


A volta ao dia em 80 mundos

Numa passagem pela FNAC - e sim, o Brinca comigo! está lá à venda, na estante Ficção Científica ;) - acabo de ver A volta ao dia em 80 mundos, de Julio Cortázar - um dos membros da Fantástica Trindade que preside ao meu culto literário pessoal - recentemente publicada pela Cavalo de Ferro.
Quando regressei a casa não pude deixar de ir folhear a edição de bolso do original, comprada em Março de 1974 - quem diria o que ia acontecer um mês depois - pela módica quantia de 84 escudos (os dois volumes!).
Para os leitores de idade menos avançada, 200 escudos <> 1 euro :)
A edição é de 1970, da Siglo XXI de España Editores, S.A., publicada em Madrid, anunciada como "Quinta edición, primera de bolsillo". A primeira edição foi no México em 1967; as três seguintes foram em Buenos Aires, em 1968.
Para informação dos meus amigos bibliófilos - olá Pedro Marques :) - aqui vão também as capas.
É Cortázar no seu melhor, como um festival de fogo de artifício!


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Todos os dias há novidades…

Dois amigos á mesa do café.
“Os filhos são uma carga de trabalhos!”, declara um, antes de levar a chávena aos lábios.
“A quem o dizes”, concorda o outro, mexendo devagar o café. “Olha o meu, já vive fora de casa, ganha o dele, mas vem todos os dias comer a comidinha da mamã, e há dias veio-me dizer que tinha tido umas despesas extra e mais a crise e não sei quê, e se eu lhe podia facilitar – ouviste bem, facilitar! – uns euritos.”
“E quanto?”, perguntei eu.
“Aí uns seiscentos, mas se for quinhentos também serve.”
“É uma pouca-vergonha”, diz o primeiro, “ganham o deles e estão sempre a sacar do nosso. E a crise serve para justificar tudo!”
Um terceiro amigo, chegado no meio da conversa:
“Vivam, ainda não li o jornal, de que Banco é que estão a falar?”

domingo, 6 de dezembro de 2009

A cinza do tempo

No ano em que começou, o Fantasporto (quem se lembra do primeiro Fantasporto ponha o dedo no ar) promoveu um Concurso do Conto Fantástico, de que resultou um livrinho com os 3 premiados e mais uns quantos recomendados pelo júri para publicação. O meu não foi premiado, mas ainda conseguiu uma boleia no referido livro.
Com alguma nostalgia, que sempre se infiltra nestes tempos pré-natalinos/solsticianos, fiz um scan do conto - já não tinha o original, e ainda que o tivesse, seriam umas folhas escritas à máquina - revi com algum trabalho - o OCR nunca é perfeito - e aqui está o dito.
Ainda gosto dele; que querem, a gente continua a gostar dos filhos mesmo depois de eles crescerem...



A cinza do tempo

Encontrei-o na Portugália. Era um fim de tarde de Verão. Eu tinha entrado para uma imperial rápida, ao balcão, uns minutos ao fresco, longe do barulho da Almirante Reis.
O que me chamou a atenção foram os copos vazios. Dois de cerveja e dois pequenos. E quando cheguei ao balcão estava ele a pedir nova dose.
- Mais uma imperial e um bagaço.

Corrupção... Face oculta... Telefonemas... Arguido... Caução... Medidas de coacção...

As palavras no título deste post fazem parte de um projecto de investigação sociológico para determinar o acréscimo de visitas a este blogue resultante da presença das referidas palavras.
Àqueles que vieram ao engano, apresento as minhas sentidas desculpas - ainda não é desta que vão saber o que queriam - mas ficam com a satisfação de ter participado num projecto científico. Quandos os resultados deste projecto derem um artigo numa revista ou uma comunicação a uma conferência, serão referidos, de forma colectiva, na secção "Agradecimentos".

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Toys 'R' here... definitivamente!


Em relação ao assunto dois posts abaixo, o "Das palavras..." está em posição de confirmar que o processo referido foi arquivado.

Tudo se baseava num mal entendido, conforme exarou o juiz de instrução no despacho de arquivamento:
"O responsável pela denúncia - ex-agente da Polícia de Costumes do antigamente - tinha treslido o título, e em vez de Brinca Comigo! tinha lido Trinca Comigo!, o que, dadas as mais óbvias conotações de trincar, comer e verbos quejandos, indiciava um claro atentado à moral e aos bons costumes. Ainda por cima com brinquedos!"
Desfeito o equívoco, os arguidos foram enviados em paz pelo juiz de instrução, com autorização expressa para continuação de brincadeiras.
"Ora", diz ainda o despacho, "na fase sorumbática, depressiva e tensa que a sociedade portuguesa atravessa, brincar é uma actividade relaxante e que favorece a boa disposição, pelo que é conducente à harmonia social."
Faz também parte do despacho uma admoestação por excesso de zelo ao zeloso ex-funcionário, que foi condenado a pagar as custas do processo.
A decisão foi acolhida com júbilo pelos arguidos, que na altura em que foram contactados assinavam livros no intervalo das Conversas Imaginárias.
Miguel Neto, o instigador da acção que deu origem a este equívoco judicial, aproveitou para informar que este convite à brincadeira se encontra à venda na EfeEneACê e "noutras boas livrarias perto de si", mas que se tiverem dificuldade em encontrar podem sempre aceder ao site da editora Escrit'orio.

E brinquem muito, porque Janeiro está aí não tarda e depois vem logo a declaração do IRS para preencher...

domingo, 29 de novembro de 2009

Um salto para

a outra margem do Atlântico, foi o que deu o meu conto Noosfera, publicado originalmente em 2007 no nº 1 do e-zine NOVA(*), e agora no site Contos Fantásticos, onde ficou também em muito boa companhia.
Um agradecimento ao Afonso Pereira, administrador do site.



(*) Quem não conhece os 3 números que saíram do NOVA, aproveite para os descarregar daqui, porque o site vai ser desactivado.